O idoso que viaja e o risco de tromboembolismo venoso

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O idoso que viaja e o risco de tromboembolismo venoso

2020-04-20 22:36:18
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Vamos direto ao assunto?

As pessoas idosas têm viajado cada vez mais e muitas são viagens de longa distancia o que aumenta a preocupação com o risco de tromboembolismo venoso. Felizmente estudos mostram que algumas medidas podem prevenir essa perigosa situação.

Por que as viagens podem aumentar a chance de tromboembolismo venoso?

A imobilidade provoca estase venosa (fluxo lento) que pode levar a formação de coágulos nas veias profundas das pernas. Quando esses coágulos se formam e não se dissolvem ocorre a trombose venosa profunda. Se o coagulo se desprender e migrar para circulação pulmonar ocorre a chamada embolia pulmonar. Esse mecanismo denomina-se tromboembolismo venoso.

Todas as pessoas que viajam podem desenvolver tromboembolismo venoso?

Não. A chance de desenvolver o problema depende do número de fatores de risco que cada um apresenta. Quanto maior o número de fatores pré-existentes maior o risco. Pesquisas mostram que 75% – 99,5 % dos casos ocorrem em quem tem mais de um fator de risco.

Quais são os fatores de risco para o tromboembolismo venoso?

  • Idade avançada (aumenta após os 40 anos)
  • Dificuldade de locomoção (exemplo osteoartrite de joelhos)
  • Insuficiência venosa periférica (varizes)
  • Tromboembolismo venoso prévio
  • Obesidade (IMC > 30 kg / m2)
  • Doença oncológica ativa ou tratamento recente de câncer
  • Doenças crônicas como a insuficiência cardíaca, doença inflamatória intestinal e doença renal.
  • Cirurgias recentes e hospitalização
  • Trauma e imobilização ortopédica
  • Terapia de reposição hormonal ou uso de anovulatórios (pílula anticoncepcional)
  • História familiar de trombose ou embolia pulmonar
  • Tabagismo
  • Uso de tamoxifeno ou raloxifeno
  • Gravidez e período pós-parto
  • Distúrbios de hipercoagulabilidade
  • Uso de cateter venoso central.

Por que preocupar-se com o idoso que viaja?

envelhecimento por si só é um fator de risco e quanto mais avançada a idade, maior a probabilidade. É frequente o idoso ter outros fatores de risco que se potencializam e aumentam a chance de um evento. Não é difícil imaginar uma pessoa idosa (> 60 a) com varizes, dificuldade de locomoção por doenças ortopédicas do joelho e/ou do quadril e portadora de uma doença oncogeriatrica.
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A duração da viagem interfere na chance de eventos?

Quanto mais longa a viagem pior. Aquelas com duração superior a 4 horas tanto em avião, carro, ônibus ou trem são as mais preocupantes.

Quanto tempo depois da viagem pode surgir os sintomas?

Logo após o desembarque e até 4 a 8 semanas depois.

Por que se fala mais dessa situação nas viagens de avião?

Porque maior parte das pesquisas é feitas com indivíduos que utilizaram esse tipo de transporte. Viagens longas em transporte terrestre podem ser igualmente deletérias.

 O tamanho e o espaço entre os assentos faz diferença?

Assentos altos não reguláveis e espaços pequenos entre a fileiras das aeronaves são fatores que podem contribuir para a formação do coágulo. Nas pessoas com menos de 1,60 m a parte anterior do assento pode comprimir a região poplítea (a parte posterior do joelho) dificultando o retorno venoso. Nos indivíduos com mais de 1,90 o pouco espaço entre os assentos dificulta a movimentação das pernas durante a viagem.

Quais os sintomas da trombose venosa e da embolia pulmonar?

Reconhecer os sintomas é muito importante, pois o inicio precoce do tratamento faz muita diferença.

Sintomas e sinais de trombose venosa

  • Aumento da temperatura na perna
  • Inchaço e rigidez na panturrilha (batata da perna)
  • Dor na panturrilha

Sintomas da embolia pulmonar

  • Falta de ar súbita
  • Dor no tórax de inicio súbito a inspiração
  • Desconforto ao respirar
  • Ansiedade e inquietação
  • Tosse com sangue
  • Dor e inchaço nas pernas (trombose prévia)
Infelizmente em 50% dos casos a trombose é assintomática e os sintomas de embolia inespecíficos.Ao suspeitar não negligencie e procure uma avaliação precoce. Quais as medidas preventivas para viajantes de longas distâncias? Especialmente os idosos devem consultar seu médico sobre a necessidade de meias elásticas e anticoagulantes. Outras medidas preventivas são:
  •  Locomover-se durante o voo
  • Fazer exercícios musculares contraindo e relaxando a musculatura da panturrilha.
  • Tomar muito líquido para se hidratar evitar bebidas alcoólicas.
  • Preferir assento no corredor para não se inibir em levantar e caminhar.
  • Viajar com roupas confortáveis.
  • Evite usar indutores de sono para dormir durante o trajeto do voo.
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Autor:
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Dr. Marcos Galan Morillo –   CRM: 58571  
Trombose Venosa e Avião (TVP, tromboflebite, embolia)

  Fontes:
  1. Amato, MCM, Manual do Médico Generalista na Era do Conhecimento
  2. Chandra D et al. Meta-analysis:travel and risk for venous thromboembolism. Ann Intern Med2009.
  3. Gavish I, Brenner B. Air travel and the risk of thromboembolism. Intern Emerg Med 2011.

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Alexandre Amato

O Dr Alexandre Amato é médico, professor de cirurgia vascular da Universidade de Santo Amaro (UNISA), e tem quatro especialidade médicas reconhecidas pelo MEC e respectivas sociedades: cirurgião geral, cirurgião vascular, angiorradiologista e ecografista. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especializou-se em vários hospitais privados e públicos em São Paulo. Aprofundou-se em cirurgia vascular em Milão, no hospital San Raffaele da Università Vita-Salute. Quando voltou, fez seu doutorado em cirurgia cardiotorácica na Universidade de São Paulo (USP). Fundou a Associação Brasileira de Lipedema para divulgar conhecimento de qualidade às mulheres portadoras de Lipedema.