A coenzima Q10 é um antioxidante que o próprio corpo produz e que fica armazenado sobretudo no coração. Ela participa do metabolismo energético: aumenta a eficácia da membrana no transporte de elétrons e, com isso, a produção de ATP — a energia celular na forma mais pura.
O interesse por ela cresceu por um motivo específico: as estatinas, muito usadas para controlar o colesterol, depletam a coenzima Q10 do organismo. Daí a pergunta que move o assunto — é preciso repor?
Por que isso importa: aterosclerose mata
Infarto, AVC, diabetes e hipertensão estão todos entre as dez maiores causas de morte no Brasil, e todos passam pela aterosclerose. Qualquer medida que ajude a evitar esse grupo de doenças merece ser levada a sério.
O que o envelhecimento faz com a parede do vaso
Com o passar dos anos, a parede vascular endurece. Esse enrijecimento traz três consequências encadeadas:
- Disfunção endotelial — as células da camada interna deixam de secretar as substâncias vasoativas.
- Endurecimento global da parede — perda de elasticidade.
- Disfunção mitocondrial — a usina de energia da célula perde eficiência.
É exatamente nesses três pontos que a coenzima Q10 atua.
O efeito nos vasos periféricos
Quando se fala de vasos periféricos, fala-se da doença arterial obstrutiva periférica: a formação de placas nas artérias que leva à claudicação — a dor ao caminhar — e à dor isquêmica, sobretudo quando já há oclusão total do vaso.
Em pacientes já avançados, está bem demonstrada a queda de coenzima Q10, e também de vitamina B12 e zinco.
Como a coenzima Q10 protegeria o vaso
Teoricamente ela teria efeito antiaterogênico — contra a formação da placa, não para quebrar a placa já existente — melhorando a elasticidade vascular. Os mecanismos descritos:
- Proteção contra o estresse oxidativo
- Redução do LDL e aumento do óxido nítrico
- Melhora da função mitocondrial e da função endotelial
- Redução da fibrose e prevenção da deposição de colágeno
Há também um efeito cardioprotetor, pelo aumento do ATP e da atividade mitocondrial, pela redução do estresse oxidativo, pelo aumento da atividade antioxidante e pela diminuição do enrijecimento vascular.
Dose e segurança
A dose recomendada gira em torno de 200 mg por dia, faixa na qual não há grandes relatos de efeitos colaterais. É considerada segura para uso prolongado, desde que dentro das doses recomendadas.
A ressalva é honesta: a redução do risco cardiovascular pela queda da inflamação e do estresse oxidativo é, até aqui, teórica — ainda carecendo de estudos que demonstrem o efeito clínico.
A opinião do Dr. Amato
Quer usar coenzima Q10? Converse com seu médico, entenda o que ela pode trazer no seu caso e considere suas particularidades de saúde. E guarde a frase que vale para todo suplemento vascular: prevenção é diferente de regressão de uma lesão já definida.
Veja também os sinais de má circulação e a dieta anti-inflamatória.
Referências
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