Vitamina D baixa é uma epidemia silenciosa — e tem efeito direto na circulação. Cansaço, fadiga, dor muscular, queda de cabelo e irritabilidade estão entre os sintomas. A deficiência já foi relacionada a infarto, AVC, diabetes, aterosclerose e calcificação das artérias.
Mas há um detalhe que quase ninguém comenta: o excesso também calcifica. Existe uma faixa ideal, e ficar acima dela é tão nocivo quanto ficar abaixo.
Quais são os níveis
- Abaixo de 15 ng/mL — deficiência. Nível muito baixo, com sintomas evidentes.
- Entre 15 e 30 — insuficiência. Pode até constar como “normal” na faixa do laboratório, mas não é o adequado.
- Acima de 30 — o alvo, e o que mais beneficia a saúde vascular.
O que a vitamina D faz nos vasos
A função primária é regular a saúde óssea e mineral, modulando o metabolismo do cálcio e do fosfato. Mas há efeito direto na parede do vaso: o endotélio (a primeira camada de células, em contato com o sangue) sofre dano com o déficit, assim como a musculatura lisa vascular ao redor dos vasos e células específicas do coração.
A quantidade varia com a localização geográfica (mais sol, mais síntese), com a etnia e com o gênero — mulheres têm naturalmente níveis um pouco mais baixos.
O elo com a inflamação e a aterosclerose
A deficiência de vitamina D se relaciona a várias doenças inflamatórias, da obesidade ao diabetes — a mesma inflamação crônica de baixo grau. Níveis adequados parecem modular a produção das substâncias pró e anti-inflamatórias, e é esse equilíbrio que mantém o estado saudável.
Como essa é a mesma inflamação que causa a aterosclerose, a doença arterial obstrutiva periférica — obstrução por calcificação da parede — pode estar ligada à vitamina D baixa.
A relação com aneurismas
Alguns trabalhos apontam correlação com a formação de aneurismas, quando a artéria dilata como um balão. Um estudo mostrou relação direta entre a quantidade de vitamina D e o tamanho do aneurisma no momento do diagnóstico. Ainda não se sabe se é causa ou efeito.
O que o nível adequado traz
- Efeito anti-inflamatório
- Melhora do tônus vascular
- Redução dos lipídios e do colesterol ruim
- Melhora da função endotelial
- Menor proliferação da célula muscular lisa — uma das causas do fechamento do vaso
- Possível prevenção da calcificação arterial
- Redução do risco cardiovascular e auxílio na regulação da pressão arterial
Como obter — e por que o excesso preocupa
A vitamina D é, a rigor, um hormônio: o corpo só a sintetiza a partir de algo externo. As três vias são o sol (exposição da pele à luz ultravioleta), a alimentação e os suplementos.
Uma vez no corpo, ela é metabolizada no fígado em calcidiol e depois, no rim, em calcitriol. É uma das teorias para a calcificação arterial exagerada de quem tem doença renal crônica — provavelmente falta essa conversão final.
O ponto crítico: experimentos mostraram que o excesso de vitamina D também calcifica as artérias. Sem suplemento, só com sol e comida, o excesso é quase impossível. Com a facilidade atual de comprar e repor por conta própria, quem passa do necessário assume esse risco. Tanto a falta quanto o excesso causam dano — de pedras renais e lesão renal a dano cardíaco.
E a vitamina K?
Vitamina D e vitamina K parecem atuar em conjunto. A K1 vem sobretudo dos vegetais (filoquinonas) e é convertida em K2 (menaquinonas) no trato digestivo.
Deficiência de vitamina K é observada em grupos de alto risco cardiovascular — mas isso não significa que suplementar retire alguém desse grupo. Um estudo com idosos suplementados e acompanhados por seis meses, com dosagem de marcadores inflamatórios e vasculares, não mostrou diferença. Outro trabalho mostrou que o excesso de vitamina K causou calcificação em modelo experimental. Comendo adequadamente, você provavelmente já supre a necessidade.
O que nenhum remédio faz
Não existe medicamento comprovado em ensaio clínico grande que retire o cálcio já depositado na parede do vaso, nem que reverta o enrijecimento depois de instalado. Por isso a prevenção é o que importa.
A dose de manutenção
Para manter um nível sanguíneo acima de 32 ng/mL, um adulto precisa ingerir pelo menos 1.600 unidades por dia, somando sol, alimentação e suplemento. Atenção: essa é a dose de manutenção de quem já está no nível adequado — não é a dose de quem tem deficiência ou insuficiência, que deve ser corrigida com acompanhamento médico.
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