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O lipedema é uma doença crônica que se caracteriza pelo acúmulo localizado de uma gordura doente, provocando alterações na pele e deixando o corpo desproporcional. É uma doença que atinge basicamente as mulheres e é responsável por vários desconfortos como dores, cansaço e inchaço na região, além do aspecto estético comprometido influenciando na autoestima da mulher. Veja a seguir qual é o tratamento indicado para lidar com o lipedema.

Como fazer o diagnóstico do lipedema

Apesar de ser uma doença bastante comum entre as mulheres, o lipedema não é diagnosticado tão facilmente simplesmente porque não há um exame direcionado que identifique a presença desse problema.

Geralmente, a mulher procura atendimento médico quando sente um desconforto nas pernas que não sabe dizer ao certo o que é ou quando tem muita dificuldade em perder peso. O médico, por sua vez, faz o diagnóstico por exclusão, eliminando outras doenças possíveis.

Além disso, observar a região onde há o desconforto apresentado pela mulher é uma maneira de perceber se há algo de errado. Isso porque, como vimos, o lipedema se caracteriza pela presença exacerbada de gordura em uma região do corpo, geralmente nas extremidades como pernas, pés, quadris e braços.

Dessa forma, o médico pode perceber alguma alteração na pele, uma assimetria no corpo com depósitos irregulares de gordura que podem sugerir o lipedema.

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O lipedema tem cura?

O lipedema não tem cura. É uma doença crônica que pode perdurar durante toda a vida da pessoa. Contudo, o tratamento adequado é suficiente para combater os sintomas desagradáveis provocados e garantir à mulher uma vida com mais qualidade.

É muito importante destacar que a eliminação dos sintomas do lipedema não é uma questão apenas estética. De fato, é um problema muito incômodo visualmente falando, uma vez que o corpo fica desproporcional por causa da gordura acumulada em partes específicas do corpo.

No entanto, as principais reclamações giram em torno do desconforto que o lipedema provoca, principalmente as dores, o inchaço e a sensação de peso nas pernas. O lipedema se torna então um impeditivo para a execução de muitas atividades, dificulta a locomoção e gera insatisfação pessoal por causa da dificuldade que a pessoa sente em perder peso.

Por isso, é muito importante que a mulher procure ajuda médica o quanto antes, logo que perceber alguma alteração no seu corpo, mesmo que inicialmente ela não saiba o que significa. Com a ajuda do médico será muito mais fácil decifrar esse problema e iniciar o tratamento.

Embora o lipedema tenha sido diagnosticado e identificado inicialmente na famosa Mayo Clinic em 1940, a maioria dos médicos não está familiarizado com a doença. Não há cura identificada no momento para o lipedema, entretanto a detecção precoce e o tratamento pode reduzir os danos progressivos ao paciente. Mudanças precoces de peso e dieta com nutrição e exercício podem ajudar a reduzir a gordura não lipedêmica e reduzir a inflamação. Dessa forma pode prevenir o aumento da parte inferior do corpo, que seria pior se o paciente também fosse obeso. Entretanto, mesmo com dieta rígida e regime de exercícios a doença também pode progredir e tratamentos futuros podem ser necessários.

Os 5 pilares do tratamento do lipedema

Não existe um tratamento único e definitivo. O controle e a melhora da qualidade de vida se atingem ao direcionar o tratamento nos 5 pilares:

  • Reduzir a inflamação
  • Controle da dor
  • Melhorar o retorno linfático
  • Suporte emocional
  • Ajudar o corpo a lidar com o lipedema

Embora não haja tratamento comprovadamente efetivo para o lipedema, o edema pode ser controlado com a compressão, certos medicamentos, drenagem linfática manual e terapia de descongestão completa. A compressão pode ajudar no retorno linfático, mas dificilmente é tolerada pela dor que os pacientes apresentam, por isso é necessário o acompanhamento com médico especializado também na escolha da melhor compressão e do melhor momento para iniciá-la.

Como é o tratamento do lipedema na prática

Visto que o lipedema é uma doença que não tem cura, resta ao paciente que sofre com o problema aderir ao tratamento indicado pelo médico especialista. Esse tratamento se baseia em algumas medidas para a melhoria dos sintomas. Saiba mais sobre elas a seguir.

Exercícios físicos

Mulheres que sofrem com lipedema encontram uma certa dificuldade em praticar atividade física por causa das dores, do inchaço na região e também porque a baixa mobilidade facilita quedas e limita os movimentos. Contudo, fazer exercício físico faz parte do tratamento contra o lipedema. E os melhores são os exercícios aeróbicos que estimulam o sistema cardiovascular.

Correr, caminhar, andar de bicicleta, nadar, fazer hidroginástica, dançar e outras atividades aeróbicas estimulam a circulação sanguínea, reduzem o inchaço e ajudam na perda de peso, o que também é essencial para a melhora dos sintomas.

Terapia compressiva

A terapia compressiva consiste em usar roupas de compressão para ajudar na redução do inchaço corporal e também no alívio das dores locais. É uma técnica muito adotada e com ótimos resultados, principalmente para quem sofre bastante com as pernas inchadas e doloridas.

Dieta

A dieta é uma medida altamente eficaz para a redução de peso, outro ponto importante para quem está em tratamento do lipedema. A obesidade, de certa forma, tem relação com o lipedema porque dificulta ainda mais a mobilidade do paciente que tem a doença e não se movimenta corretamente.

Fazer dieta e praticar exercícios físicos é uma combinação que dá muito certo quando o assunto é perder peso. Vale ressaltar que o lipedema, apesar de ter como característica básica a presença de uma gordura acumulada, não tem ligação direta com a obesidade.

Pessoas não obesas podem sofrer com o lipedema, apresentando um corpo disforme pela presença de gordura doente em uma certa parte do corpo. Contudo, emagrecer é uma necessidade para todas as pessoas que estão acima do peso e que, por conta disso, estão mais expostas à incidência de doenças.

Então, a dica é manter uma alimentação saudável, reduzindo o consumo de frituras, industrializados, açúcar e sal em excesso. Em contrapartida, consuma mais legumes, verduras e frutas, cereais integrais, peixe, frango, leite e derivados desnatados. Além disso, mantenha-se hidratado o dia inteiro.

Medicamentos

O tratamento medicamentoso também faz parte do combate ao lipedema e oferece bons resultados. Contudo, é um procedimento que deve ser indicado por um profissional especialista no assunto e de acordo com as particularidades de cada paciente e do problema apresentado.

Vale um alerta importante: nenhuma substância isolada demonstrou, até hoje, tratar o lipedema em si. Em revisão sistemática que publicamos na revista Cureus em 2025, não encontramos um único estudo avaliando a gestrinona no lipedema — nem ensaio clínico, nem relato de caso. Entenda em gestrinona funciona no lipedema? Veja também: existe remédio para lipedema? (Amato AC, Amato JS, Benitti D. Cureus, 2025).

Drenagem linfática

A drenagem linfática é uma massagem realizada por profissionais da área com o objetivo de eliminar o excesso de líquido no corpo, diminuir a inflamação, dissolver nódulos provocados por esse acúmulo e reduzir as dores.

Lembrando que a drenagem linfática é uma técnica profissional e não deve ser executada por qualquer pessoa porque pode piorar os sintomas da doença com o surgimento de hematomas e aumento das dores locais.

Tratamento cirúrgico para a retirada do tecido gorduroso

O tratamento considerado eficaz contra o lipedema é o procedimento cirúrgico que faz a retirada da gordura doente através da aspiração. É uma prática que acontece em etapas, respeitando o intervalo recomendado pelo médico. A quantidade de gordura aspirada também deve estar de acordo com as limitações de cada paciente.

Durante o pós-operatório, o uso de meias compressivas e a realização da drenagem linfática para a eliminação de líquidos e redução do inchaço ainda são indicados. São práticas que ajudam na recuperação do paciente durante aquele período e favorecem o seu retorno às atividades do cotidiano.

Lipoaspiração no lipedema: o papel da cirurgia

O tratamento cirúrgico com lipoaspiração no tratamento do lipedema iniciou em 1980 e está ficando cada vez mais comum. Embora tenha ajudado muitos pacientes quando feito por cirurgião treinado e consciente do lipedema, poucos médicos têm o conhecimento necessário, sendo um tratamento frequente na Europa, mas nem tanto nos Estados Unidos. Entre as técnicas de tratamento disponíveis, nem todas são adequadas para todos os pacientes. A lipoaspiração assistida a água (WAL – Water Assisted Liposuction) e a lipoaspiração por tumescência (TLA – Tumescent Liposuction) são dois procedimentos realizados rotineiramente na Alemanha, Países Baixos, Inglaterra e Áustria para pacientes com lipedema, e no Brasil pelo Instituto Amato. Recomenda-se que os pacientes busquem informação aprofundada sobre as técnicas e os médicos antes da realização de qualquer procedimento.

É importante entender que a cirurgia não é um tratamento definitivo: por se tratar de uma doença crônica, o tratamento clínico continua sendo necessário para controlar a inflamação e evitar a progressão. O objetivo principal da cirurgia é melhorar a mobilidade e os sintomas — o benefício estético é secundário. Por isso, sempre que possível, a decisão pela cirurgia deve ser tomada fora de uma crise inflamatória, com o paciente no seu melhor estágio clínico e de forma consciente.

Doenças associadas e suporte ao paciente

O lipedema é acompanhado às vezes de outras doenças, que podem agravar a saúde do paciente. Doenças articulares, venosas, linfedema, obesidade e transtornos psicossociais são vistos frequentemente em pacientes com lipedema. Medicamentos para controle da dor, ansiedade e depressão são comuns nesta população, por isso recomenda-se a associação a grupos de suporte. A cirurgia bariátrica para obesidade não reduz a gordura lipedêmica, embora possa ajudar a tratar as comorbidades que a acompanham.

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Pudemos perceber que o lipedema é uma doença séria, que acomete principalmente as mulheres e que, apesar de não ter cura, tem tratamento. É possível aliviar os sintomas com a prática constante de hábitos saudáveis e alguns cuidados. Já para a remoção da gordura doente, a cirurgia de aspiração é uma opção. Em todos os casos, consultar um médico especialista é fundamental para o sucesso de qualquer procedimento.

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