Varicocele — o que é e como tratar

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Entenda a condição e por que agir cedo

A varicocele é uma das causas mais comuns de desconforto escrotal e infertilidade masculina, e ainda assim muitos homens demoram para buscar avaliação. Trata-se de uma dilatação nas veias que drenam o sangue dos testículos, algo semelhante às varizes das pernas, mas localizada no saco escrotal. Essa alteração pode elevar a temperatura local e comprometer a produção e a qualidade dos espermatozoides, afetando diretamente a fertilidade. Descrita pela medicina desde o século I, ela é mais frequente do lado esquerdo por questões anatômicas. A boa notícia é que existe tratamento eficaz e seguro — e quanto mais cedo a investigação e a intervenção, maiores as chances de preservar a função testicular e evitar complicações. Nas próximas seções, você entenderá como reconhecer, diagnosticar e tratar a varicocele com segurança.

O que é varicocele e como ela afeta o corpo

A varicocele é a dilatação anormal do plexo pampiniforme — o conjunto de veias que envolve e drena o sangue dos testículos. Quando essas veias perdem a competência das válvulas que impedem o refluxo, o sangue se acumula e a pressão aumenta, levando às “varizes” escrotais.

Esse acúmulo eleva a temperatura na bolsa escrotal, o que não é trivial. A espermatogênese — processo de produção dos espermatozoides — exige temperatura alguns graus abaixo do restante do corpo. Com a temperatura cronicamente mais alta, a qualidade e a quantidade de espermatozoides podem cair, e a fragmentação do DNA espermático pode aumentar.

Anatomia venosa do testículo

Cada testículo é drenado por um conjunto de veias que convergem em uma veia testicular principal. Essas veias possuem válvulas que deveriam permitir o fluxo unidirecional em direção ao abdome. Quando as válvulas falham (insuficiência valvar) ou quando há compressões externas, o refluxo acontece e as veias dilatam.

– Plexo pampiniforme: rede venosa que envolve o cordão espermático e ajuda a resfriar o sangue arterial que chega ao testículo.
– Veia testicular esquerda: geralmente desemboca na veia renal esquerda em ângulo reto, o que aumenta a suscetibilidade ao refluxo.
– Veia testicular direita: drena diretamente para a veia cava inferior, com menor predisposição ao refluxo.

Por que é mais comum à esquerda

A varicocele aparece com maior frequência do lado esquerdo devido a três fatores anatômicos principais:
– Drenagem em ângulo reto da veia testicular esquerda na veia renal, favorecendo o aumento de pressão.
– Trajeto mais longo e sujeição a compressões entre estruturas abdominais (fenômeno conhecido como “pinçamento”).
– Diferenças sutis no número e na competência das válvulas venosas entre os lados.

O resultado é um risco aumentado de refluxo e dilatação venosa à esquerda, embora a condição possa ser bilateral em muitos casos.

Sinais, sintomas e quando procurar ajuda

A varicocele pode ser silenciosa por anos. Em outras situações, traz queixas que incomodam no dia a dia e durante a prática de atividades físicas. Identificar os sinais cedo facilita o tratamento e reduz impacto na fertilidade.

– Sensação de peso ou desconforto escrotal, pior no fim do dia ou após ficar muito tempo em pé.
– Dor leve a moderada, em pontadas ou em queimação, geralmente do lado esquerdo.
– Veias aparentes no escroto, lembrando “um saco de minhocas” ao toque.
– Aumento do volume escrotal após esforço.
– Em adolescentes, assimetria testicular (um testículo menor), sinal de comprometimento do desenvolvimento.

Quando buscar avaliação:
– Se houver dor persistente no escroto ou virilha.
– Se perceber veias dilatadas visíveis ou palpáveis.
– Se houver dificuldade para engravidar após 12 meses de tentativas regulares.
– Se houver histórico de varicocele e piora de sintomas.
– Em adolescentes com assimetria testicular ou dor recorrente ao praticar esportes.

Alerta importante:
– Dor intensa de início súbito, náuseas ou vômitos podem indicar torção testicular, uma emergência urológica. Procure pronto atendimento.

Diagnóstico preciso: do ultrassom à flebografia

O diagnóstico começa com história clínica e exame físico realizados por profissional experiente (cirurgião vascular ou urologista). Em pé e com manobra de Valsalva (forçar como para evacuar), as veias dilatadas tendem a se evidenciar. Porém, os exames de imagem são fundamentais para confirmar o grau, mapear a anatomia e definir a melhor estratégia terapêutica.

Exames básicos

Ultrassom com doppler escrotal: padrão-ouro inicial. Mede diâmetro venoso, avalia refluxo e classifica a gravidade. Permite comparar os lados e avaliar o fluxo em repouso e com Valsalva.
– Espermograma: essencial quando há planejamento reprodutivo ou suspeita de infertilidade. Analisa concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides.
– Dosagens hormonais (quando indicadas): FSH, LH e testosterona podem ser solicitados em alguns cenários de disfunção testicular.

Como interpretar achados comuns no ultrassom:
– Veias do plexo pampiniforme com diâmetro ≥ 2,5–3,0 mm costumam sugerir varicocele.
– Refluxo venoso persistente significa insuficiência valvar significativa.
– Comparar medidas em pé e deitado ajuda a confirmar o diagnóstico.

Quando avançar para a flebografia

A flebografia (venografia) é um exame invasivo que injeta contraste na veia para mapear com precisão o refluxo e eventuais colaterais. Ela é, ao mesmo tempo, diagnóstico e parte do tratamento quando se planeja a embolização. Indicações típicas:
– Dúvida diagnóstica após ultrassom.
– Planejamento de embolização endovascular.
– Recidiva após cirurgia, para localizar veias colaterais persistentes.

O que o paciente pode esperar:
– Procedimento em regime ambulatorial ou hospital-dia.
– Anestesia local e sedação leve.
– Recuperação rápida, com alta no mesmo dia na maioria dos casos.

Opções de tratamento: cirurgia e embolização

O manejo da varicocele é individualizado. Nem todo caso requer intervenção. O objetivo é aliviar sintomas, evitar atrofia testicular e restaurar a qualidade do sêmen quando há desejo de fertilidade.

Quem tende a se beneficiar do tratamento:
– Dor escrotal persistente atribuída à varicocele.
– Infertilidade masculina com alteração do espermograma.
– Adolescente com assimetria testicular progressiva.
– Recidiva de varicocele com sintomas.

Varicocelectomia (cirurgia)

A varicocelectomia consiste em ligar as veias dilatadas para interromper o refluxo. Existem diferentes técnicas (aberta, microcirúrgica subinguinal, laparoscópica), cada uma com particularidades.

Pontos-chave:
– Eficácia: melhora do espermograma e chances de gravidez em parte significativa dos casos.
– Técnica microcirúrgica: uso de microscópio para preservar artéria testicular e vasos linfáticos, reduzindo risco de hidrocele e atrofia.
– Anestesia: local, raquidiana ou geral, dependendo da técnica.
– Recuperação: retorno gradual às atividades em 1–2 semanas; atividade física impactante após liberação médica.

Potenciais riscos:
– Dor pós-operatória, hematoma, infecção.
– Hidrocele (acúmulo de líquido), mais rara nas técnicas que preservam linfáticos.
– Recorrência, se veias colaterais não forem tratadas.

Como maximizar resultados:
– Escolher equipe experiente na técnica selecionada.
– Aderir ao plano de analgesia e restrições das primeiras semanas.
– Repetir espermograma 3 a 6 meses após a cirurgia para avaliar resposta.

Embolização endovascular

A embolização é um procedimento minimamente invasivo realizado por cirurgião vascular ou radiologista intervencionista. Por meio de um cateter introduzido geralmente pela veia femoral ou jugular, o especialista navega até a veia testicular e “entopa” seletivamente as veias com refluxo.

Como funciona:
– Acesso percutâneo com anestesia local e sedação.
– Injeção de contraste para mapear refluxos e colaterais.
– Oclusão do segmento doente com molas (coils), plugs ou agentes esclerosantes.
– Tempo total: em geral 30–90 minutos; alta no mesmo dia.

Vantagens práticas:
– Menos invasiva, sem cortes no escroto ou na região inguinal.
– Retorno rápido às atividades cotidianas (muitas vezes em 24–72 horas).
– Possibilidade de tratar veias colaterais não visíveis na cirurgia aberta, reduzindo recidiva.
– Excelente opção quando há recidiva após varicocelectomia.

Desempenho e resultados:
– Altas taxas de sucesso técnico e clínico.
– Em homens com infertilidade por varicocele, estudos mostram melhora na qualidade do sêmen em até 90% dos casos após a correção endovascular.
– Melhora de dor escrotal e sensação de peso em grande parte dos pacientes.

Cuidados pós-embolização:
– Uso de analgésicos simples por 1–3 dias, se necessário.
– Evitar esforços intensos por cerca de uma semana.
– Reavaliar com ultrassom doppler e espermograma conforme orientação.

Resultados, fertilidade e prognóstico

A relação entre varicocele e infertilidade masculina é bem estabelecida. Estima-se que cerca de 15% dos homens apresentem varicocele, e esse número pode chegar a 40% entre casais com dificuldade de engravidar. O tratamento, quando bem indicado, tem potencial de melhorar a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides.

O que esperar após o tratamento:
– Espermograma: a melhora costuma ser avaliada entre 3 e 6 meses, pois a espermatogênese leva cerca de 74 dias por ciclo.
– Dor e desconforto: tendem a reduzir significativamente nas primeiras semanas.
– Tamanho testicular: em adolescentes, há chance de recuperação do crescimento do testículo afetado ao tratar a causa do refluxo.

Indicadores de bom prognóstico:
– Idade mais jovem e menor tempo de exposição ao refluxo venoso.
– Varicocele de grau leve a moderado e sem atrofia testicular avançada.
– Aderência aos cuidados pós-procedimento e acompanhamento adequado.

Quando associar reprodução assistida:
– Em alguns casos, mesmo com melhora do espermograma, o casal pode se beneficiar de técnicas como inseminação intrauterina (IIU) ou fertilização in vitro (FIV), especialmente quando há fatores femininos concomitantes ou idade materna avançada.
– Corrigir a varicocele antes de tratamentos de reprodução assistida pode aumentar as taxas de sucesso e reduzir a necessidade de técnicas mais invasivas.

Métricas que vale acompanhar:
– Concentração, motilidade progressiva e morfologia no espermograma.
– Fragmentação do DNA espermático (quando disponível), que pode diminuir após a correção do refluxo.
– Marcadores hormonais, se alterados previamente.

Cuidados práticos: prevenção, recuperação e escolhas inteligentes

Embora não seja possível “prevenir” completamente a varicocele, é possível reduzir sintomas, favorecer a recuperação e tomar decisões que acelerem o retorno à rotina e à fertilidade.

Autocuidado e estilo de vida

– Evite calor excessivo na região: banhos muito quentes, saunas prolongadas e uso de laptop diretamente no colo podem elevar a temperatura escrotal.
– Gerencie o esforço físico: se a dor piora após exercícios, reduza cargas, use suporte escrotal e ajuste treinos de impacto até a avaliação.
– Controle o peso: obesidade pode agravar sintomas e dificultar avaliação clínica.
– Largue o cigarro: o tabagismo piora a qualidade do sêmen e a saúde vascular.
– Otimize a alimentação: inclua fontes de antioxidantes (frutas vermelhas, folhas verdes, oleaginosas) e ômega-3, que podem beneficiar a saúde reprodutiva.

Sinais de alerta durante a recuperação:
– Dor intensa que não melhora com analgésicos simples.
– Aumento rápido de volume, vermelhidão marcante ou febre.
– Náuseas, vômitos ou dor súbita e incapacitante.

Se ocorrerem, procure reavaliação imediata.

Como escolher o especialista certo

A experiência da equipe impacta diretamente no resultado da correção da varicocele. Procure:
– Cirurgião vascular ou urologista com prática comprovada em varicocelectomia e/ou embolização.
– Serviço que ofereça ultrassom doppler qualificado e, quando indicado, flebografia e embolização no mesmo centro.
– Explicação clara das opções, com vantagens, riscos e expectativas realistas.

Perguntas úteis para levar à consulta:
– Meu caso realmente se beneficia de intervenção agora? Por quê?
– Qual técnica você recomenda para mim (cirurgia microcirúrgica, laparoscópica ou embolização) e com que taxa de sucesso?
– Quais são os riscos e a chance de recidiva no meu perfil?
– Como será a recuperação e quando posso retomar exercícios e relações sexuais?
– Quando repetiremos o espermograma e qual melhora é esperada?

Passo a passo para decidir o tratamento

1. Confirme o diagnóstico com exame físico e ultrassom doppler.
2. Faça espermograma se houver desejo reprodutivo, atual ou futuro próximo.
3. Discuta metas: alívio da dor, fertilidade, recuperação de assimetria testicular.
4. Compare técnicas com base em sua anatomia, gravidade e preferência por invasividade e tempo de recuperação.
5. Programe o procedimento e alinhe os cuidados pré e pós-operatórios.
6. Reavalie com exames de controle e ajuste o plano conforme a resposta.

Mitos e verdades que atrapalham o tratamento

Mito: “Se não dói, não precisa tratar.”
– Verdade: Em muitos casos assintomáticos sem desejo reprodutivo, o acompanhamento é suficiente. Porém, se há planos de paternidade ou alterações no espermograma, tratar pode prevenir prejuízos futuros.

Mito: “Varicocele sempre causa infertilidade.”
– Verdade: Nem todos os homens com varicocele terão problemas para engravidar. Ainda assim, ela é uma causa frequente e tratável de infertilidade masculina.

Mito: “A cirurgia é sempre melhor que a embolização.”
– Verdade: Ambas têm eficácia. A escolha depende do caso, da disponibilidade e da experiência da equipe. A embolização é menos invasiva e trata colaterais, sendo excelente opção, inclusive em recidivas.

Mito: “Depois do tratamento, a gravidez é imediata.”
– Verdade: A melhora do sêmen leva meses. O planejamento reprodutivo deve considerar o tempo de recuperação e a idade do casal.

Checklist rápido para levar daqui

– A varicocele é a dilatação das veias do escroto e pode elevar a temperatura testicular, afetando a produção de espermatozoides.
– É mais comum à esquerda por razões anatômicas.
– Estima-se que 15% dos homens tenham a condição; entre casais com dificuldade para engravidar, esse número pode chegar a 40%.
– O ultrassom com doppler confirma o diagnóstico; a flebografia auxilia no planejamento de embolização.
– Tratamentos eficazes incluem varicocelectomia e embolização endovascular.
– A embolização é minimamente invasiva e pode melhorar a qualidade do sêmen em até 90% dos casos de infertilidade por varicocele.
– Decisão terapêutica deve considerar sintomas, fertilidade, idade e preferências do paciente.
– Estilo de vida e acompanhamento regular maximizam os resultados.

Cuidar da sua saúde vascular e reprodutiva é investir no seu presente e no seu futuro. Se você notou desconforto, veias dilatadas no escroto ou está planejando formar família, agende uma avaliação com um especialista em varizes e tratamentos endovasculares. Um diagnóstico claro e um plano personalizado podem fazer toda a diferença no controle da varicocele e na conquista da sua qualidade de vida.

O doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular, aborda a varicocele, que são varizes no saco escrotal, e destaca a importância do tratamento vascular. A varicocele, descrita desde o século I, afeta as veias que drenam os testículos, podendo aumentar a temperatura local e comprometer a qualidade dos espermatozoides, resultando em infertilidade. A condição é mais comum à esquerda devido à anatomia venosa. Estima-se que 15% da população masculina tenha varicocele, e essa porcentagem sobe para 40% entre casais com dificuldades para engravidar. O diagnóstico é feito por ultrassom e flebografia. Os tratamentos incluem a varicocelectomia e a embolização, um procedimento menos invasivo que entope as veias danificadas. A embolização apresenta altas taxas de sucesso, com melhora na qualidade do esperma em até 90% dos casos de infertilidade. O vídeo finaliza convidando os espectadores a se inscreverem no canal para mais conteúdos.

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