Trombose Venosa Profunda

A) Vaso com lesão, B) Vaso ocluido por trombo

Já falamos sobre TVP antes, mas como é um assunto muito importante e que necessita de tratamento rápido, é sempre bom relembrar.            

Como o nome já diz, a trombose venosa profunda é uma doença que acontece subitamente após a formação de um trombo (uma espécie de coágulo) dentro do sistema venoso mais profundo, especialmente nas pernas e coxas. Esse trombo pode ainda seguir o trajeto da veia e obstruir o fluxo sanguíneo mesmo distante do local em que se formou, levando a condições de saúde grave. 
            Como esse coágulo gera uma obstrução do fluxo de sangue, o corpo tenta combater essa agressão com inflamação. Assim, se essa trombose acontece nas veias profundas da perna, encontraremos uma perna inchada, dolorosa e mais quente se comparada com a outra perna. Se esse trombo chega ao pulmão, pode dificultar grande parte da troca gasosa, levando a uma intensa falta de ar súbita. A esse evento chamamos de tromboembolismo pulmonar.
            Essa doença nem sempre é identificada na fase inicial e pode levar a sequelas e mesmo a óbito pelo acometimento pulmonar. Ela acontece mais comumente em pessoas hospitalizadas e imobilizadas como em pós-cirurgias, em gestantes, em portadores de doenças inflamatórias ou degenerativas e, em algumas situações, em indivíduos previamente saudáveis.
            Os motivos pelo qual acontece já são conhecidos há mais de 100 anos e é denominado de  tríade de Virchow, ou seja, há três condições clássicas que predispõem à trombose: a lesão da parede de um vaso; o represamento do sangue venoso dentro das veias; e os estados em que há uma tendência de o sangue coagular mais facilmente.
O tratamento deve ser realizado na fase aguda com o objetivo de prevenir o aumento do trombo, prevenir a ocorrência da complicação pulmonar e reduzir o represamento venoso. São utilizados medicamentos anticoagulantes que devem ser indicados e manejados somente por médicos, pois possuem riscos. Podem ser necessárias outras medidas para evitar a complicação pulmonar, como a inserção de um filtro na veia cava – importante veia que leva o sangue até o coração, o uso de meias elásticas para a elastocompressão e uso de medicamentos sintomáticos.
            Fica fácil perceber que pessoas sedentárias e obesas têm uma maior tendência à trombose. O mesmo acontece após cirurgias, pois o estresse do corpo gera uma tendência à coagulação associada à imobilidade na cama. A prevenção ocorre pelo cultivo de hábitos de vida saudável, por estar em dia com seu check-up vascular e também por ter acompanhamento e orientação médica em relação a outras condições inerentes à saúde.

 
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Dr. Alexandre Amato

O Dr Alexandre Amato é médico, professor de cirurgia vascular da Universidade de Santo Amaro (UNISA), e tem quatro especialidade médicas reconhecidas pelo MEC e respectivas sociedades: cirurgião geral, cirurgião vascular, angiorradiologista e ecografista. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especializou-se em vários hospitais privados e públicos em São Paulo. Aprofundou-se em cirurgia vascular em Milão, no hospital San Raffaele da Università Vita-Salute. Quando voltou, fez seu doutorado em cirurgia cardiotorácica na Universidade de São Paulo (USP). Fundou a Associação Brasileira de Lipedema (www.lipedema.org) para divulgar conhecimento de qualidade às mulheres portadoras de Lipedema.