Gravidez e Doença Venosa

Gravidez e Doença Venosa
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Um fato sobre os problemas venosos é certeiro: as telengiectasias e veias varicosas pioram muito durante os nove meses de gravidez e persistem durante o período de lactação, ou seja, de amamentação.

Se a mulher possui outros fatores de risco para o desenvolvimento das telengiectasias e das veias varicosas, como história familiar, trabalhar muito tempo de pé e outras, o mais provável é que essas veias não desapareçam após o nascimento do bebê.

Algumas vezes essas veias podem parecer que desapareceram, mas, após uma segunda gravidez elas aparecem mais evidentes e nas gestações em seguida, também. Quanto mais gestações a mulher tiver, mais doença venosa sobra após o nascimento.

Após décadas de pesquisa, ficou demonstrado que há grandes mudanças na fisiologia do corpo da mulher durante a gravidez e essas mudanças aumentam o risco de desenvolvimento dos vasinhos e veias varicosas.

As cinco maiores mudanças no corpo da mulher durante a gestação são:

  • Aumento do volume sanguíneo
  • Aumento da pressão no abdome e na pelve baixa à medida em que o bebê cresce
  • Aumento da dosagem de estrogênio e progesterona no sangue
  • Aumento da relaxina, hormônio que afeta o colágeno e pode contribuir para o enfraquecimento da parede venosa
  • E diminuição da atividade física.

Durante a gravidez, o corpo prepara para nutrir e suportar o crescimento do feto, aumentando a quantidade de sangue circulante. Esse aumento do volume sanguíneo aumenta a pressão nas veias das pernas, causando uma dilatação natural e elas acabam se expandindo.

Esse aumento do volume ocorre junto com o aumento da dosagem de estrogênio e progesterona diluída no sangue que atua enfraquecendo a parede venosa, permitindo que as veias dilatem para acomodar essa quantidade extra de sangue.

À medida que o feto cresce, a pressão dentro da pelve aumenta, colocando uma pressão maior nas veias das pernas e fazendo que seja mais difícil o retorno venoso. Por essas razões, o uso das meias elásticas por mulheres grávidas, pode auxiliar no retorno venoso.

Os hormônios estrogênio e progesterona são essenciais durante a gravidez, mas eles enfraquecem a parede das veias. Uma ação semelhante da progesterona e do colágeno também pode ser vista na pele. A mulher nota uma perda de elasticidade na pele dos seios e abdômen durante a gravidez, principalmente ao entrar no terceiro trimestre.

Hoje nós sabemos o quanto a gravidez pode piorar os vasinhos e as veias varicosas, fazendo as veias que já são visíveis ficarem maiores e mais desconfortáveis.

Anos atrás as mulheres tinham poucos tratamentos disponíveis, se estivessem planejando uma gestação. Os tratamentos tradicionais eram invasivos e, portanto, o tratamento era postergado para depois da gestação. À medida que os tratamentos foram ficando menos invasivos e com mais êxito, a ideia de tratar o vasinhos e veias varicosas antes da gravidez ou entre as gestações ficou mais atrativo.

Antigamente os cirurgiões recomendavam que as mulheres tivessem seus filhos e depois fizessem o tratamento. Atualmente, por essas razões e pelos tratamentos menos invasivos, os cirurgiões vasculares recomendam que as mulheres que têm varizes e que sofram com os sintomas, podem e devem tratar antes da próxima gestação.

Cirurgiões vasculares também recomendam que as mulheres procurem cedo o tratamento para os vasinhos e veias varicosas, antes mesmo da primeira gestação. Essa recomendação é mais importante ainda nas mulheres que têm uma história pessoal ou familiar muito grande de doença venosa.

Os tratamentos modernos venosos são frequentemente procedimentos menores que podem ser feitos no consultório ou em day hospital, e tem um alto grau de sucesso. É muito mais fácil e menos traumático tratar os problemas venosos quando eles estão nas fases iniciais do que esperar as suas complicações mais graves, como a insuficiência venosa crônica, que pode aparecer com o tempo.

 

Autor: Prof. Dr. Alexandre Amato

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Alexandre Amato

O Dr Alexandre Amato é médico, professor de cirurgia vascular da Universidade de Santo Amaro (UNISA), e tem quatro especialidade médicas reconhecidas pelo MEC e respectivas sociedades: cirurgião geral, cirurgião vascular, angiorradiologista e ecografista. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especializou-se em vários hospitais privados e públicos em São Paulo. Aprofundou-se em cirurgia vascular em Milão, no hospital San Raffaele da Università Vita-Salute. Quando voltou, fez seu doutorado em cirurgia cardiotorácica na Universidade de São Paulo (USP). Fundou a Associação Brasileira de Lipedema para divulgar conhecimento de qualidade às mulheres portadoras de Lipedema.