Insuficiência Venosa Crônica Varizes dos Membros Inferiores

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Vamos direto ao assunto?

Introdução:

As varizes que comumente afetam nossas pernas são muito conhecidas e normalmente dispensam qualquer apresentação. Entretanto, elas são apenas uma parte, um estágio, de uma doença muito mais complexa intitulada Insuficiência Venosa Crônica (IVC). Estudos apontam que cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens vão apresentar algum grau da doença ao longo de sua vida. Por ser uma doença crônica e evolutiva, algumas destas pessoas podem chegar a estágios mais avançados da doença onde ocorrem alterações irreversíveis. Tais alterações compreendem desde um escurecimento, descamação e ressecamento da pele, geralmente acompanhadas de piora dos sintomas como dor, queimação e inchaço, podendo ocorrer a abertura de feridas nas pernas que podem demorar anos para cicatrizar. No outro extremo temos os pequenos vasos dérmicos chamados telangectasias (ou simplesmente vasinhos) que têm um apelo principalmente estético, ao menos no início.

O que causa a doença?

Apesar das várias teorias, ainda não há um consenso sobre a origem das varizes, mas sabemos que existem alguns fatores de risco (alguns modificáveis e outros não) para o desenvolvimento e piora da doença:

  • Tendência familiar
    • parentes próximos (avós, pais e irmãos) com varizes, indicam um risco maior.
  • Obesidade;
  • Sedentarismo
    • o movimento é muito importante na circulação das pernas;
  • Múltiplas gestações;
  • Uso de anticoncepcionais;
  • Trabalho em pé;
  • Gênero
    • mulheres tem uma chance maior de desenvolver varizes;
  • Idade
    • com o passar dos anos, aumenta a incidência de IVC;
  • Tabagismo
    • o papel do cigarro não está estabelecido, mas suas graves implicações sobre o sistema circulatório encorajam seu desuso;
  • Uso de sapatos de salto alto
    • o sapato de salto muito alto diminui a mobilidade da perna podendo prejudicar o retorno venoso. Apesar de não haver comprovação científica, é aconselhável, para as pessoas que permanecem muito em pé, evitar o salto demasiadamente alto;
  • Trombose venosa
    • dificulta o retorno do sangue de forma temporária ou permanente, podendo levar ao desenvolvimento de varizes no curto prazo e IVC no longo prazo.
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Como posso identificar o problema?

As varizes geralmente são facilmente identificáveis ao simples exame visual. Ao médico cabe confirmar este diagnóstico, graduar a doença (algo que influenciará na decisão sobre o tratamento) e indicar os exames complementares pertinentes que ajudarão a desvendar a origem do problema e guiarão as decisões sobre o tipo de tratamento.

Quais exames são importantes?

Atualmente o exame mais utilizado é o ultrassom com Doppler do sistema venoso dos membros inferiores. É indolor, de execução simples e com bons resultados em mãos habilitadas, fornecendo os dados fundamentais para o planejamento do tratamento. Em casos de exceção podem ser necessários exames mais complexos, sugerimos que um cirurgião vascular seja consultado tanto para a solicitação destes exames quanto para sua análise. Tal fato pode evitar exames desnecessários e eventualmente perigosos.

Outros exames para varizes? Ultrassom? Ecodopper? Tomografia? Ressonância?
 

Como posso tratar as varizes?

Detectada a presença de varizes, a única maneira de eliminá-las é através de intervenções como cirurgia e escleroterapia (ablação química ou simplesmente secagem das veias). A escolha do tratamento depende do tipo de veia, da condição clínica do doente, da localização e extensão do problema na veia, bem como da expectativa a respeito deste tratamento. Métodos de tratamentos conservadores, sem cirurgia ou escleroterapia, não curam ou previnem os problemas existentes nas veias. Entretanto, costumam ajudar a aliviar os sintomas como dor, inchaço, coceira e peso nas pernas, pelo menos temporariamente. Como métodos conservadores podem ser indicados o uso de meias elásticas e/ou o uso de medicamentos flebotônicos, porém sempre com orientação médica. Na visão mais atual, as várias modalidades de tratamento são combinadas para a obtenção dos melhores resultados, tanto estéticos como para alívio dos sintomas.

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Quanto aos tratamentos efetivos podemos citar como principais técnicas:

  • Cirurgia convencional
    • os cirurgiões vasculares brasileiros acumularam provavelmente uma das maiores experiências mundiais neste método;
  • Varizes com laser e radiofrequencia (Termoablação ou Tratamento endovascular venoso)
    • um método mais recente no Brasil, emprega fibras de laser ou radiofrequência para tratar a veia por dentro. O tempo de recuperação costuma ser um pouco menor;
  • Ablação química ou Escleroterapia
    • também conhecida como secagem, é a injeção de uma substancia dentro do vaso ou veia doente fazendo sua inativação. É o método mais simples porem o que apresenta maiores taxas de recidiva em veias calibrosas.

Os vasos e varizes retirados não vão fazer falta?

Não. O tratamento bem indicado e bem realizado elimina as veias doentes, que já não cumprem sua função, havendo outras veias normais que estão suprindo a circulação local.

Veias fazem falta? Posso tirar veias? A cirurgia tira as veias?
 

Varizes “voltam?”

O processo de formação das varizes é contínuo, relacionado à genética e aos fatores de risco citados. Assim, é comum aparecerem novas varizes no decorrer do tempo. O tratamento das varizes deve ser contínuo, bem como esforços para evitar os fatores de risco modificáveis a exemplo do sedentarismo, obesidade, etc.

 
Varizes voltam? Elas saem de vez quando trata ou podem voltar?

Dica:

Cada método de tratamento tem suas vantagens e suas limitações. Existem praticamente infinitas apresentações da doença venosa, de forma que existe uma modalidade de tratamento que pode ser mais ou menos adequada a cada caso. Se você tem qualquer grau de doença venosa converse com seu vascular. Ele é o médico que tem o conhecimento sobre todas as modalidades de investigação e o único especialista que pode dominar todas as técnicas do tratamento desta doença podendo, em conjunto com o paciente, definir a melhor forma de controlar este problema.

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Alexandre Amato

O Dr Alexandre Amato é médico, professor de cirurgia vascular da Universidade de Santo Amaro (UNISA), e tem quatro especialidade médicas reconhecidas pelo MEC e respectivas sociedades: cirurgião geral, cirurgião vascular, angiorradiologista e ecografista. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especializou-se em vários hospitais privados e públicos em São Paulo. Aprofundou-se em cirurgia vascular em Milão, no hospital San Raffaele da Università Vita-Salute. Quando voltou, fez seu doutorado em cirurgia cardiotorácica na Universidade de São Paulo (USP). Fundou a Associação Brasileira de Lipedema para divulgar conhecimento de qualidade às mulheres portadoras de Lipedema.

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