A cirurgia de varizes a laser fecha a veia doente por dentro, com calor, em vez de arrancá-la. Entra-se por uma punção, passa-se uma fibra óptica dentro da veia e a energia do laser coagula as proteínas da parede: o vaso se retrai, oclui e sai de circulação — sem corte na virilha, sem fio de aço, sem o hematoma da técnica tradicional.
É o que se chama termoablação endovenosa (EVLT). Junto com a radiofrequência, substituiu a cirurgia de stripping como primeira escolha nas grandes diretrizes internacionais. Aqui você encontra como é feita, para quem é indicada, quanto tempo leva a recuperação, o que ela não resolve e como fica a questão do convênio.
Como a cirurgia a laser é realizada
Primeiro é preciso separar duas coisas que costumam ser confundidas:
- Laser transdérmico (para vasinhos): o feixe é aplicado sobre a pele, e o comprimento de onda escolhido atua seletivamente nas veias dilatadas superficiais — telangiectasias e veias reticulares.
- Laser endovenoso (EVLT), para as varizes maiores: uma única punção permite introduzir a fibra óptica dentro da veia. O calor coagula as proteínas da parede, que se retrai e oclui.
Na técnica tradicional, a veia é retirada cirurgicamente. Com o laser, ela é inutilizada e reabsorvida pelo corpo — por isso o procedimento é menos traumático e a recuperação é mais rápida.
Laser, radiofrequência e stripping: as diferenças
Quando alguém diz apenas “cirurgia de varizes”, não dá para saber de qual técnica se trata. São três cenários:
- Veias menores (tributárias, colaterais, reticulares) — microcirurgia, uma modificação da técnica de Miller: pequenos furinhos que não precisam nem de ponto, feitos com sedação e anestesia local, sem necessidade de hospital.
- Veias maiores (safena magna, safena parva, safenas acessórias) — ou o stripping (corte na perna e na virilha, fio de aço, tração e retirada da veia) ou as termoablações: laser e radiofrequência.
Laser e radiofrequência funcionam de modo equivalente — ambos ocluem a veia pelo calor. A diferença é a fonte: o laser usa o calor da energia luminosa; a radiofrequência, o calor de uma energia de micro-ondas.
A cirurgia de stripping já foi rebaixada a opção secundária nas grandes diretrizes internacionais. As técnicas termoablativas têm resultado melhor e são as indicadas hoje.
Para quem é indicada
As indicações do laser são as mesmas de outras técnicas — radiofrequência, escleroterapia ou cirurgia aberta. É indicada para quem apresenta:
- Veias tortuosas e salientes
- Dor ao ficar muito tempo em pé
- Cansaço e peso nas pernas
- Outros sintomas que não melhoram com tratamento clínico
É necessário haver evidência de que o sangue realmente não flui corretamente, seja por exame de imagem ou por avaliação médica.
Quando não pode ser feita
O procedimento não deve ser realizado em gestantes nem em pessoas que tiveram trombose recente.
Há ainda situações em que o cirurgião vascular pesa riscos e benefícios caso a caso: tortuosidade em excesso, que impede a passagem do dispositivo, e diâmetro muito grande das veias a tratar, entre outras.
Anestesia e duração
A cirurgia pode ser feita apenas com anestesia locorregional (raqui) e sedação, ou com anestesia geral em centro cirúrgico. Durante o procedimento, o cirurgião pode associar outras técnicas para melhorar o resultado — é o mais comum.
Recuperação e pós-operatório
A dor e o desconforto depois do procedimento são mínimos e se resolvem gradativamente, com auxílio das meias compressivas. Comparado às técnicas mais invasivas, o tempo de retorno ao trabalho e às atividades diárias é menor, assim como é maior a satisfação dos pacientes.
O acompanhamento é simples: na primeira semana, um ultrassom com doppler para verificar se não há anormalidade precoce. Não havendo desconforto importante, o retorno seguinte é só após um mês, para avaliar se algum procedimento complementar é necessário.
Uma observação que vale para qualquer técnica: repouso absoluto é contraindicado. Ficar deitado e parado aumenta o risco de trombose. O correto é repouso relativo — deitar e elevar a perna quando houver incômodo, e voltar progressivamente às atividades.
Para comparação: na cirurgia tradicional com tratamento da safena, o sangue extravasado forma um hematoma considerável, e como sangue fora da veia é um potente inflamatório, a recuperação costuma passar de 15 dias, chegando a um mês. Veja as orientações pós-cirurgia de varizes com laser.
Vídeo: cuidados depois do laser ou da radiofrequência nas varizes
O laser acaba com todas as varizes?
Não, e é importante dizer isso com clareza. O laser é eficaz nas veias maiores, como a safena, mas tem limitação para resolver todas as varizes — por isso quase sempre é associado à microcirurgia dos vasos colaterais e tributários na mesma cirurgia.
Além disso, a doença varicosa é genética. O tratamento elimina as veias doentes existentes naquele momento, mas novas veias podem se desenvolver com o tempo. Isso não é falha do procedimento: é a natureza da doença. Entenda em varizes e veias varicosas.
O convênio cobre?
Resumidamente: a cirurgia convencional está no ROL da ANS como “Varizes — tratamento cirúrgico de dois membros” e deve ser paga integralmente pelo convênio. Não há cadastro separado para o tratamento com laser.
Como o laser exige materiais extras — fibra óptica, equipamento de laser, ecodoppler intraoperatório e introdutor —, as operadoras costumam autorizar a cirurgia, mas não cobrir esses materiais, apoiando-se no art. 12 da RN nº 428/2017. Ainda assim, a internação e os honorários médicos referentes à cirurgia devem ser cobertos, e a cirurgia com laser não elimina a necessidade da microcirurgia, que é coberta.
A explicação completa, com a base normativa, está em por que a cirurgia de varizes com laser não é coberta pelo plano.
Experiência importa nessa técnica
A técnica a laser para varizes é complexa e exige conhecimento teórico e domínio prático. Por isso a indicação e o tratamento devem ser feitos por cirurgião vascular devidamente habilitado.
O laser é usado há mais de uma década pelo Amato Duo, com resultados publicados em revista internacional, e a equipe segue aprimorando a técnica e ensinando outros cirurgiões vasculares.
Perguntas frequentes
Reunimos as dúvidas mais comuns — número de sessões, duração da cirurgia, riscos, qual laser, fotos de antes e depois — em 10 perguntas sobre laser e varizes.
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